EDITORIAIS
por
Luiz Gonzaga Scortecci de Paula (Ben Daijih) e OutrosNOTA: Textos avulsos, correspondências selecionadas e cópias de e-mails destacados entre o material postado por Luiz Gonzaga (Ben Daijih) nos Grupos Virtuais da AMASOFIA, da AGENDA AQUARIANA, da REDE AURORA (Grupo Fechado) e do grupo CONTATO UFO, relativos, respectivamente, aos sites www.amasofia.org.br (este site) , www.agendaaquariana.org.br, www.redeaurora.org.br e www.ufo.org.br.
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O DITO "SISTEMA" / Considerações - 09 jun 2008, por Ronaldo Persiano
Amigos Yamassis,
Há não muito tempo atrás, ainda neste ano, lemos aqui na Rede Aurora mensagens acerca do SISTEMA. Dúvidas surgiram e esclarecimentos também. O material re-enviado ontem (08 jun 2008) pelo Gonzaga, via nosso GV, retoma de certo modo esse tema. Através dele e de tudo mais que possamos agregar, cabe a nós perseguir, todos e cada um, uma consciência profunda do que é e como funciona o SISTEMA. Ela será parte integrante do processo que deveremos viver no caminho para desenvolver uma ação aquariana verdadeiramente amasófica.
E a Rede Aurora está precisando dessa ação há muito tempo para superar o relativo "empacamento" a que recentemente aludiu Elena no âmbito de alguns de seus setores. Pretendo aqui destacar alguns pontos que possam auxiliar no alcance dessa consciência.
O sistema capitalista, a expressão social atual do SISTEMA, depende de crescer sempre para não despencar. O sistema cresceu graças à industrialização e ao crescimento populacional. Mas, não só. Por uma estratégia, tão ardilosa quanto cruel, foi nos usurpando muito mais que os recursos materiais - a terra, o trabalho, o tempo. Tomou-nos a vida. Não de uma maneira retórica, mas, concreta. Seja tentados pelo conforto e pelo prazer, seja subjugados por ação da força explícita, fomos pouco a pouco cedendo nossa independência, nossa auto-suficiência e nossa consciência.
Hoje, qualquer de nós, a rigor, sabe muito muito pouco. Somos incapazes de sobreviver por nós mesmos. Não sabemos como produzir nosso alimento, nossas vestimentas, nossas moradias, nossa arte ou cuidar de nossa saúde. Nem os filhos sabemos criar. Ficamos na dependência de alguém ou algo que nos é exterior. Estamos cercados por uma tecnologia que não dominamos e sem a qual não sabemos mais como viver. Confiamos inteiramente no sistema, pois reconhecemos subconscientemente que não viveríamos sem ele. Vendemos a ele nossa alma.
Não dá para sintonizar-se com Aquário sem alterar profundamente esse quadro. Há que se resgatar o que nos foi usurpado, o que cedemos. E fazê-lo antes que o sistema ou o SISTEMA nos abandone a nossa própria sorte como fazem alguns com seus cães doentes ou suas gatas grávidas. E esse é o lado mais perverso do dito Sistema: nos abandonará de forma planejada, sem dó ou piedade, deixando-nos sem capacidade para nos sustentarmos, sem ter como enfrentar os cataclismos, sem saber que caminho seguir.
O que fazer? Como recuperar a alma vendida? Perseguindo o caminho inverso àquele que nos trouxe até aqui. Andando na contra-mão. A Rede Aurora, assim como as outras 15 Redes Aquarians, é essa volta para o futuro.
Um dos primeiros vídeos de palestras do Gonzaga que assisti foi o de Ecovilas. Nele, nada é dito explicitamente sobre a Rede Aurora. É uma palestra sobre ecovilas apenas. Entretanto, é profundamente didática para o momento que vivemos hoje na Rede. Traça o perfil do que pode ou deveria ser uma Estação no seu nível funcional. E, para o bom entendedor, põe a nu o trabalho interno necessário para estabelecer-se um assentamento desses.
Não dá para ser engenheiro numa Estação. É preciso também ser carpinteiro, cozinheiro, tecelã, eletricista, pintora, médico, arquiteta, costureiro, professora, construtor, sapateira, ferreiro, agricultora, babá, instrumentista, psicólogo, atriz, encanador, conselheira, parteiro... É preciso resgatar-se a pluralidade de conhecimento que a auto sustentabilidade requer, a "polivalência" própria à auto-subsistência. Autonomia é "pluralidade".
Como pôr essas considerações na prática? Prepare-se. Faça cursos do que estiver a seu alcance. Reaprenda o que esqueceu e aprenda algo novo. Potencialize-se. Invista em sua autonomia. Resgate o que lhe foi retirado. Desespecialize-se! A especialização é o passaporte para a dependência. É a estratégia do Sistema para exercer a dominação. Seja um "faz-tudo".
E troque com todos. Numa Estação Aurora, ou uma outra de qualquer das Redes Mundiais Aquarianas, não há espaço para pessoas "indispensáveis". Por isso, troque o que aprendeu, desenvolveu, descobriu com os demais. Sem apegos. E, por isso, o projeto pressupõe uma comunidade, pois não dá para dominar tudo sozinho. Não dá para viver isolado.
Por tudo isso, admiro a Glorinha fazendo seu "crochet", a Celeida dispersando sementes de algodão em seus passeios, a discrição e humildade com que Zé Carlos erige Porto Cristina, o conhecimento vasto - de tecelão a hortelão - com que o Sérgio Lúcio, sem alarde, nos surpreende, a facilidade com que Lourdinha domina hoje o fogão a lenha, o "patchwork" que Alice Ribeiro cria com a astrologia, amasofia e Seth, a iniciativa do Léo em aprender rádio-amadorismo, a simplicidade com que Geraldo Daniel aplaina a massa de cimento. Admiro, mas ainda é pouco. Temos ainda que preencher a maioria das 52 células da tabela do programa funcional padrão para nossas Estações Aurora.
O título acima dessa mensagem não é uma pretensão. A intenção é que cada um (da Rede Aurora) escreva um capítulo: II, III, IV, ... etc. Só dei um ponta pé inicial!
Poli-abraços aquarianos,
Ronaldo — ronaldoper@oi.com.brCOMPLEMENTO OPORTUNO!
Prezados amigos,
Meu nome é Fernanda Barth, e sou de Porto Alegre (RS) / Brasil.
Tenho acompanhado alguns debates maravilhosos através das mensagens que o Henri ( Rede Aurora Mundial / Estação de Porto Maestro - portomaestro@redeaurora.org.br ) me envia.
Vejo que, apesar deste trabalho feito por algumas pessoas realmente "dar fôlego" a um sistema que insiste em não morrer, não estaria este trabalho em prol dos outros servindo também para a evolução espiritual de quem o está praticando?
Afinal, não é a dedicação aos outros, a caridade, a fraternidade uma forma de elevar o campo vibracional???? E, neste sentido, estaria errado tentar trazer mais luz a este Sistema que rui diante de nós?
Mais esclarecimento, um pouco de justiça, lutar para expor a mentira???? Ou quem sabe o nosso crime de perpetuar o Sistema através destas ações — porque não somos capazes de ajudar muitos de uma vez só, deixando outros tantos presos a este Sistema por dar-lhe fôlego — não seria isto um ato egoísta de nossa parte, um mal maior que o bem praticado, indiretamente? Não deixar que este Sistema se vá????? Ou é egoísmo não tentar salvar mais gente, lutar contra este Sistema?
Trago estas questões para debate e porque busco esclarecimento.
Beijos para todos. Sou uma iniciante nestas questões! Me perdoem qualquer "asneira"...
Fernanda Barth — fernandabarth@hotmail.comRESPOSTA / COMENTÁRIOS DO RONALDO PERSIANO
(Postado aos 11 jun 2008)Olá, Fernanda Barth, Luiz Gonzaga e demais participantes da Agenda Aquariana e da Rede Aurora,
Creio que a Fernanda refere-se em suas considerações à entrevista do Yunus (anexada na mensagem de Solen Kana) que relata e defende o microcrédito como vem sendo praticado com sucesso na Índia. Este é um projeto louvável por atender justamente às pessoas de baixa renda alijadas do sistema de crédito bancário convencional.
De certo modo, mantidas as devidas exclusões, vemos aqui iniciativas que poderiam atender os interesses da classe socialmente desfavorecida como os créditos a aposentados do serviço público de baixa renda. As financeiras interessam-se pelas garantias avalisadas pelo governo de risco virtualmente nulo oferecendo aparentemente juros bem abaixo do mercado. Não é porém o que ocorre e há várias denúncias de abusos do poder econômico nesse negócio.
Nos anos 70, lembro-me bem, discutia-se amplamente o que fazer com o tempo ocioso que o desenvolvimento da automação propiciaria dado que, por conta da eficiência, em uma jornada reduzida de trabalho, colheríamos os mesmo frutos da produção. Esse seria o benefício futuro de um desenvolvimento social. Com o tempo livre, estimava-se, seria necessário "ocupar" as pessoas com entretenimento, arte, desenvolvimento pessoal, etc. Sexo dos anjos. Ledo engano. O sistema nos legou, passados quase 40 anos de desenvolvimentos adicionais, jornadas de trabalho mais severas, entendendo-se via celulares aos horários de uso privado, subemprego e desemprego. Isso foi uma escolha do sistema, a resposta do dominador à pretenções dos seus súditos. Não há espaço para benefícios.
Outra inciativa serviu, décadas depois, como alento: as "ong"s. Atuando sobre temas de interesse social, independentes dos governos e atentas às áreas onde os poderes estatais não chegam, foram vistas em seu nascedouro como meios de prover-se um mínimo de justiça social. O poder dos governos poderia distribuir-se pelo financiamento das ongs que atuassem nas áreas em que o porte do estado não permitisse ser eficiente. Hoje, muitas ongs tem sido usadas como tranpolins políticos, defesas de interesses privados, e até como meio de invasão estrangeira e pirataria biológica. É certo que nem todas atuam dessa forma, mas como promessa de alcance da justiça social o conceito de ong perdeu muito de seu brilho e buscam-se outras formas.
Esse processo de desgaste por sua absorção pelo sistema ocorreu também em outro movimento nascido nos anos 60: o movimento hippie. Era um movimento romântico de contra-cultura que propunha o abandono das benesses do sistema. Defendia o pacifismo e retorno a uma vida despojada mais próxima da natureza com relações mais integrais com o trabalho e a sociedade. Perdeu-se nas drogas em sua busca da liberdade e legou-nos, além da expansão do consumo das drogas, pouco mais do que a liberdade sexual que aids veio empanar. Fora isso, virou moda inserida no sistema. Outro exemplo de como o sistema trata a busca por liberdade integral é encontrada na história do Osho no ocidente.
A proposta de um trabalho assistencial e de crescimento espiritual dentro do sistema deve ser considerada. É um trabalho devocional em essência. Corresponde ao doar-se. Encontramos na história recente os exemplos de Gandhi, Maria Tereza e Sai Baba. Nada com o mesmo quilate expandiu-se no ocidente, sede do poder do sistema. São, para nós, embora admiráveis, culturalmente muito distantes.
Enxergo o caminho devocional como uma opção de caminho pessoal. Ainda que socialmente integrado, é um caminho tão solitário como qualquer outro. E o desenvolvimento pessoal é o cerne do processo de evolução. Este, o desenvolvimento pessoal, pode se dar quer subindo a montanha e lá meditando em prol da humanidade até o fim dos tempos, quer pensando as feridas dos desvalidos, quer acrescentando, aqui em baixo de costas para o sistema as mangas arregaçadas, um tijolo à nova civilização. Qualquer dos três caminhos, cada um a seu modo, representa uma entrega. São opções pessoais. E nenhuma delas contribui para a "melhoria" do sistema e sim para sua extrema-unção.
Como, imagina o caro leitor, lidaria o sistema no ocidente com uma figura como a de Jesus que pregasse como ele fez no passado?
Abraços renovados,
Ronaldo Persiano
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